Materia no Tudo na Hora – 01/11/2007
2 outubro, 2009 por Adriana Jardim
Categoria Jardim do Imaginário
Por: Roberto Amorim
Link: http://www.tudonahora.com.br/noticia.php?noticia=26543
As criações de papel de Adriana Jardim
A artista mostra seu trabalho em papietagem no Museu Théo Brandão; temas regionais dominam a obra.

A timidez e a paciência parecem ser essenciais na carreia da artista Adriana Jardim. Quieta em casa, ela experimenta novas possibilidades de criação numa tranqüila estrada de descobertas.
Foi assim que, ano passado, se deparou com mestre Vilimba e suas esculturas de papel. O contato com o experiente artista lhe tirou – pelos menos temporariamente – da pintura figurativa e a direcionou para a papietagem.
O resultado dessa mudança está na exposição “Mundo de Papel”, será aberta no próximo dia 04, às 19h, no Museu Théo Brandão, na Avenida da Paz. Os trabalhos ficam à disposição do público até 06 de dezembro, de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados das 14h às 17h.
Com curadoria do também artista Persivaldo Figueirôa, a mostra é fruto dos últimos meses de criação. O número de peças deve chegar a 36. “Ainda tenho muito trabalho até lá e não pára de fervilhar idéias na minha cabeça”, diz Adriana que decidiu regionalizar a exposição que marca sua estréia oficial no cenário artístico local.
“Recortar, colar, criar… Esse é o ‘Mundo de Papel’ criado por Adriana Jardim. Um mundo de sonhos, cores e formas. Real ou imaginário, ele nos transporta as boas lembranças da infância, antigas brincadeiras, referencia a fé do povo nordestino e contempla figuras ilustres e amigos. Uma arte que educa, enquanto recicla e traduz todo o esmero e criatividade pelas mãos de quem coloca na arte que produz”, afirma Persivaldo.
Lata d’água na cabeça
Na primeira safra de esculturas, Adriana Jardim se volta quase que totalmente para lugares e figuras do dia a dia de Alagoas. Mas é possível encontrar materializações da literatura, como a personagem Macabéa, do livro “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, e até a própria escritora, com sua expressão sisuda e enigmática.
“Nesse processo livre, marcado pelo experimentalismo, modelei com papel, arame e cola, dentre outras, imagens que representam a cultura e o cotidiano do nordeste, buscando um rastro singelo do nosso povo, sua arte e suas crenças. Em todas as obras ressalto a alegria, a cor e convido o espectador a ver, sentir e questionar o que há além do visível”, explica Adriana Jardim, que ganha a vida como psicóloga e, como não poderia deixar de ser, na incluiu a arte terapia nas atividades.
Extremamente zelosa, a artista impressiona pelos detalhes de cada peça, o que garante vida as expressões do menino comendo algodão no banco da praça, a beata rezando diante da imagem de Jesus Cristo, o jangadeiro à espera dos peixes, a lavadeira do São Francisco e a sertaneja com a lata d’água na cabeça.
Passada a exposição, Adriana Jardim adianta que irá se afastar da representação do real para se jogar nas imagens, seres e situações que povoam o inconsciente.
A assustada menina de cabeça grande diante da barata já indica que o que estar por vir. “Não sei o resultado do que irei criar, mas é justamente aí que está o fascínio dessa nova fase do meu trabalho”, diz. “Estou pronto para não intervir nas idéias mais absurdas que possam surgir”.










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