Da Orla à Biblioteca – Projeto “O Museu Vai à Rua”

19 dezembro, 2009 por Adriana Jardim  
Categoria Jardim do Imaginário

o jornal marco 15 Da Orla à Biblioteca   Projeto O Museu Vai à Rua

Museu Théo Brandão expõe trabalhos de artistas alagoanos na praia da Pajuçara. Em abril, a mostra irá para o hall da biblioteca Central da Ufal.

Com uma proposta inovadora, o Museu Théo Brandão (MTB) lançou, no último dia 1°,O Projeto Museu Vai à Rua, onde 18 esculturas, todas produzidas por artistas lo­cais, ficaram expostas no calçadão da praia da Jatiúca, chamando a atenção de quem transitava pelo local. O hall da Biblioteca Central da Ufal, no Campus A. C. Simões, será o próximo des­tino da mostra, cuja abertura será no dia 2 de abril, permanecendo até o próximo dia 16. Atualmente, a mostra pode ser visitada nas salas de exposições temporárias do MTB.

A ação é mais uma forma encontrada de di­vulgar o museu e dar visibilidade aos artistas da terra, além de insuflar a criatividade dos mes­mos em trabalhar em cima de novos conceitos. Porém, o principal objetivo é fazer com que os alagoanos e os visitantes conheçam e passem a valorizar mais a arte alagoana.

Encantada com o colorido e a capacidade cri­adora dos artistas em cada um dos manequins expostos, Ana Cláudia foi uma das pessoas que conferiram a mostra na praia e aprovou a ini­ciativa. De passagem por Maceió, a paulistana disse que o próximo local a ser visitado será o Museu Théo Brandão. “Fiquei curiosa em conhecer o museu e o seu acervo de cultura popu­lar”, comentou.

A exposição, que tem como tema Arte Popular, contará com a participação dos artis­tas Aciole, Adriana Jardim, Agélio Novaes, Beto Normande, Dalton Costa, Deny Menezes, Gil Lopes, José Carlos, Lula Nogueira, Maria ‘Amélia, Paulo Santo, Persivaldo Figueirôa, Renan Padilha, Rosivaldo Reis, Sales e Peró.

MATERIAL RECICLADO – Os nomes dos trabalhos são sugestivos: Vendedores de Máscaras, Divulgador de Alegrias, Notícias Culturais, Caboclo de Lança, Lampião e Maria

Bonita de Férias em Maceió, Nega da Costa, Burrinha da Alegria, Nós Duas, Globalização, Bumba-meu-boi, Maluco Beleza, Sereia do Venâncio, Nega Maluca, Viva o Azul – Viva o Encarnado, Jardim do Amor, Burrinha, Monalisa e O Circo, os quais foram decorados com ma­teriais reciclados e convidam a população para uma reflexão sobre como é possível reutilizar o lixo produzido pelo homem de uma forma criativa, visando ao bem-estar geral e à preser­vação do meio ambiente. “Essa forma de cons­cientização e reaproveitamento do lixo artisti­camente, também é uma das funções da arte”, comenta o artista plástico Persivaldo Figueirôa.

Olhar de artista: liberdade e reflexão na hora de criar

Como diz o velho ditado: “Se Maomé não vai à montanha, a mon­tanha vai até Maomé. Os artistas acharam louvável a iniciativa do MTB em levar para as ruas o que fica dentro das galerias, muitas vezes, longe do público. “Infelizmente, as pessoas aqui não possuem o hábito de visitar as ga­lerias para saber o que está sendo pro­duzido pelos artistas do Estado, por isso, a proposta de levar a nossa arte para as ruas e fazer esse convite para que as pessoas visitem os museus é per­feita”, afirma Figueirôa.

Cada artista fez uso da sua liberdade para abordar temas que os afligem. Um exemplo é a obra de Paulo Santo, Globalização, que faz uma reflexão sobre o momento em que estamos vivendo e do poder das principais indústrias que incentivam o consumismo de forma frenética. “A minha obra representa uma resistência aos ditames desse mercado o-perante com a globalização, que incen­tiva o consumo fácil e rápido de pro­dutos ‘enlatados’ e não abre espaço para aqueles que preferem trilhar outros caminhos. A arte não está livre desse mau, e o regionalismo está se perdendo para o mercado”, alerta Paulo Santo.

Museu recebeu prêmio do Ministério da Cultura

Iniciativas como essa fizeram com que o Museu Théo Brandão recebesse, no ano passado, o Prêmio Culturas Po­pulares 2007, oferecido pelo Ministério da Cultura por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, reconhecendo o museu como exemplo de ações no setor da cultura popular.

Atualmente, o MTB desenvolve vá­rios projetos na área, sempre primando pela manutenção das tradições. O prê­mio em dinheiro será utilizado para aprimorar o Engenho de Folguedos, que, juntamente com a Associação de Folguedos Populares de Alagoas (Asfopal) e a cooperativa dos Usineiros de Alagoas, traz semanalmen­te ao palco do Museu apresentações de grupos autênticos do folclore ala­goano. “Além do Engenho de Fol­guedos, temos a peça Diana e seus Dois Amores, apresentada aos alunos da rede pública que nos visitam, exposi­ções, cursos e oficinas, que realizamos durante todo o ano. Todas as ações de­senvolvidas pelo MTB primam pelo incentivo, pela divulgação e pela preservação da cultura popular”.

Da Editoria de Cultura

Matéria O Jornal – caderno 2 – 15 de março de 2008

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