Matéria no Alagoas 24 horas – 31/10/2008
setembro 28, 2009 by Adriana Jardim
Filed under Jardim do Imaginário
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O Mundo de Papel no Théo Brandão
A arte de fazer objetos à base de cola e papel é antiga. Na China e Europa antigas, o papel machê foi usado na fabricação de objetos diversos, como por exemplo, as famosas máscaras de carnaval de Veneza. Já a técnica da papietagem é uma ramificação do papel machê e consiste em colar papel sobre papel, como fez Henri Matisse ou o pintor cubista George Braque.
Com o tempo, a técnica da papietagem evoluiu muito, e hoje, apreciar objetos de arte elaborados por essa técnica não é algo distante no tempo e no espaço. Em Maceió, a artista Adriana Jardim expõe a mostra “Mundo de Papel” no Museu Théo Brandão/UFAL. O coquetel de abertura será na próxima terça-feira, 04/11, às 19h, com apresentação do Coral Camerata Pró-Música de Alagoas.
Conhecer esta exposição é uma oportunidade de ver, através de um olhar peculiar, personagens comuns do cotidiano nordestino e brasileiro, como a mulher rendeira, o flanelinha, o vendedor de flores da orla de Maceió, além de figuras de destaque nacional como o padre Cícero e a escritora Clarice Lispector. Na elaboração de sua arte, Adriana Jardim faz um duplo recorte: o recorte do papel – matéria prima principal de seu trabalho – e o recorte da realidade, que é revelada por um olhar sensível e apurado. “Coloco alma na minha arte, porque sou apaixonada pela possibilidade de moldar o real e o imaginário através do papel”, diz a artista.
A exposição é composta por trinta e duas esculturas inspiradas, principalmente, na cultura e cotidiano do Nordeste. Na obra de Adriana, também estão presentes a imaginação e o lúdico, como a escultura “O colecionador de estrelas”. “Em todos os meus trabalhos, ressalto a alegria, a cor, e convido o espectador a ver, sentir e questionar”, diz Adriana Jardim.
Há um ano, a artista fez uma oficina no Museu Théo Brandão e aprendeu a técnica da papietagem com o Mestre Vilinba, ganhador do Prêmio Gustavo Leite 2007, de melhor artesão do ano. Adriana, que já havia produzido trabalhos em papel machê, aprendeu a moldar esculturas com arame, papel e cola. Ela explica que o papel deve ser rasgado em pedaços pequenos e, depois, colado. Pode-se também utilizar uma estrutura permanente feita de papelão, plástico, madeira ou arame. Para o artista plástico e curador da exposição, Persivaldo Figueirôa, o “Mundo de Papel” criado por Adriana Jardim retrata “um mundo de sonhos, cores e formas. Real ou imaginário, ele nos transporta às boas lembranças da infância, antigas brincadeiras e faz referência à fé do povo nordestino”, diz Figueirôa.
A exposição “Mundo de Papel” pode ser vista até o dia 06/12 no Museu Théo Brandão/UFAL.
SERVIÇO: Exposição “Mundo de Papel”
Entrada Franca
Abertura da Exposição: 04/11, às 19 h.
Até 06/12 – Horário de visitação: terça-feira à sexta-feira, das 9h às 17h. E aos sábados, das 14h às 17h.
Local: Museu Théo Brandão
Fonte: Assessoria Museu Théo Brandão
Materia no Tudo na Hora – 01/11/2008
setembro 28, 2009 by Adriana Jardim
Filed under Jardim do Imaginário
Por: Roberto Amorim
Link: http://www.tudonahora.com.br/noticia.php?noticia=26543
As criações de papel de Adriana Jardim
A artista mostra seu trabalho em papietagem no Museu Théo Brandão; temas regionais dominam a obra.
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A timidez e a paciência parecem ser essenciais na carreia da artista Adriana Jardim. Quieta em casa, ela experimenta novas possibilidades de criação numa tranqüila estrada de descobertas.
Foi assim que, ano passado, se deparou com mestre Vilimba e suas esculturas de papel. O contato com o experiente artista lhe tirou – pelos menos temporariamente – da pintura figurativa e a direcionou para a papietagem.
O resultado dessa mudança está na exposição “Mundo de Papel”, será aberta no próximo dia 04, às 19h, no Museu Théo Brandão, na Avenida da Paz. Os trabalhos ficam à disposição do público até 06 de dezembro, de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados das 14h às 17h.
Com curadoria do também artista Persivaldo Figueirôa, a mostra é fruto dos últimos meses de criação. O número de peças deve chegar a 36. “Ainda tenho muito trabalho até lá e não pára de fervilhar idéias na minha cabeça”, diz Adriana que decidiu regionalizar a exposição que marca sua estréia oficial no cenário artístico local.
“Recortar, colar, criar… Esse é o ‘Mundo de Papel’ criado por Adriana Jardim. Um mundo de sonhos, cores e formas. Real ou imaginário, ele nos transporta as boas lembranças da infância, antigas brincadeiras, referencia a fé do povo nordestino e contempla figuras ilustres e amigos. Uma arte que educa, enquanto recicla e traduz todo o esmero e criatividade pelas mãos de quem coloca na arte que produz”, afirma Persivaldo.
Lata d’água na cabeça
Na primeira safra de esculturas, Adriana Jardim se volta quase que totalmente para lugares e figuras do dia a dia de Alagoas. Mas é possível encontrar materializações da literatura, como a personagem Macabéa, do livro “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, e até a própria escritora, com sua expressão sisuda e enigmática.
“Nesse processo livre, marcado pelo experimentalismo, modelei com papel, arame e cola, dentre outras, imagens que representam a cultura e o cotidiano do nordeste, buscando um rastro singelo do nosso povo, sua arte e suas crenças. Em todas as obras ressalto a alegria, a cor e convido o espectador a ver, sentir e questionar o que há além do visível”, explica Adriana Jardim, que ganha a vida como psicóloga e, como não poderia deixar de ser, na incluiu a arte terapia nas atividades.
Extremamente zelosa, a artista impressiona pelos detalhes de cada peça, o que garante vida as expressões do menino comendo algodão no banco da praça, a beata rezando diante da imagem de Jesus Cristo, o jangadeiro à espera dos peixes, a lavadeira do São Francisco e a sertaneja com a lata d’água na cabeça.
Passada a exposição, Adriana Jardim adianta que irá se afastar da representação do real para se jogar nas imagens, seres e situações que povoam o inconsciente.
A assustada menina de cabeça grande diante da barata já indica que o que estar por vir. “Não sei o resultado do que irei criar, mas é justamente aí que está o fascínio dessa nova fase do meu trabalho”, diz. “Estou pronto para não intervir nas idéias mais absurdas que possam surgir”.
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